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quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

INFORMAÇÃO:

O RADAR PODE MULTAR POR FALTA DE CINTO DE SEGURANÇA?

O cinto de segurança é um dos equipamentos mais importantes do veículo e um dos maiores responsáveis por salvar vidas no trânsito. Apesar disso, ainda há muitos motoristas e passageiros que resistem a usá-lo, especialmente no banco traseiro. Surge então uma dúvida recorrente: o radar consegue multar quem não está usando o cinto de segurança?


A resposta não é tão simples, e envolve entender como funcionam os diferentes tipos de radares e quais infrações podem ou não ser detectadas por esses equipamentos.


O que diz a lei sobre o uso do cinto:

O artigo 65 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) determina que o uso do cinto de segurança é obrigatório para condutor e passageiros em todas as vias do território nacional, salvo em casos específicos previstos pelo Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN). O não uso do cinto é considerado infração grave, prevista no artigo 167 do CTB, sujeita a multa de R$ 195,23, além da soma de 5 pontos na CNH do condutor. Ou seja, independentemente do tipo de via ou situação, o cinto é obrigatório e a responsabilidade pelo uso é do motorista, que deve garantir que todos os ocupantes estejam devidamente presos.


O radar flagra falta de cinto?

Aqui está o ponto central: os radares de velocidade não têm, por si só, a função de identificar a falta do cinto de segurança. Eles são programados para verificar excesso de velocidade, avanço de sinal vermelho, parada sobre a faixa de pedestre, entre outras infrações relacionadas à circulação. No entanto, em alguns locais do Brasil, os radares foram integrados a câmeras de monitoramento com inteligência artificial, capazes de identificar automaticamente condutas como:


* motorista falando ao celular;

* transporte de crianças sem cadeirinha;

* falta do uso do cinto de segurança.


Isso significa que a tecnologia já permite a autuação por imagem, mas não é o radar em si que faz essa fiscalização: são as câmeras associadas ao sistema de monitoramento.



Portal do Trânsito

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Desburocratização e Acessibilidade:

MUDANÇAS NA CNH AMEAÇAM A SEGURANÇA VIÁRIA E PODEM CUSTAR MILHÕES AO PAÍS:

Para especialistas, as mudanças recentes na CNH representam um retrocesso que negligencia a ciência da prevenção e pode ter um custo social e econômico incalculável.


As recentes alterações na legislação de trânsito, propostas sob o argumento de “desburocratização” e “acessibilidade”, estão sendo alvo de críticas por parte de especialistas em segurança viária e psicologia do trânsito. Para os especialistas da Associação das Clínicas de Trânsito de Minas Gerais (Actrans-MG), a flexibilização nos prazos de validade e outras mudanças da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), além da desvalorização dos exames de aptidão física e mental representam um retrocesso que negligencia a ciência da prevenção e pode ter um custo social e econômico incalculável.


A redução da frequência das avaliações médicas e psicológicas transfere o custo da prevenção para o SUS e Previdência, gerando uma “falsa economia” que se manifesta em sinistros, mortes e lesões graves que amplificam a perda de força produtiva no país. Números Os dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) de janeiro a outubro de 2025 reforçam a tese dos especialistas. De um total de 59.459 sinistros nas rodovias federais, com 4.970 mortes e 68.264 feridos, a maioria das ocorrências tem origem em falhas humanas previsíveis e, portanto, preveníveis. As duas principais causas de sinistros (Ausência de reação do condutor e Reação tardia ou ineficiente do condutor) somam impressionantes 18.087 casos e estão diretamente ligadas a falhas nos processos cognitivos e fisiológicos do condutor.


“A maioria dos sinistros poderia ser evitada pois são falhas humanas previsíveis. A ausência ou a reação tardia não são apenas desatenção momentânea; elas são os indicadores mais claros de falhas críticas na atenção, percepção e velocidade de processamento”, explica a especialista em segurança viária e presidente da Associação das Clínicas de Trânsito de Minas Gerais (Actrans-MG), Adalgisa Lopes.


A especialista explica que a falta de reação está diretamente ligada à saúde mental. “É uma reação característica da sobrecarga por estresse ou fadiga crônica. A reação tardia, por sua vez, aponta para uma lentidão no processamento de informações e na tomada de decisão, que é dramaticamente afetada por distúrbios do sono ou até mesmo por medicamentos”, completa Adalgisa. Essas falhas psicofisiológicas são a raiz de mais de 18 mil sinistros e são precisamente o que a avaliação psicológica rigorosa e o exame médico aprofundado buscam rastrear. Ao flexibilizar a renovação, o risco é aumentado e as ruas estarão repletas de motoristas com a capacidade de reação comprometida.


O impacto bilionário na economia e na saúde:

A desvalorização da prevenção tem um impacto direto no SUS e na economia. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), os acidentes custam entre 1% e 3% do Produto Interno Bruto (PIB) dos países. Ou seja, algo em torno de R$ 351 bilhões por ano no Brasil. “O argumento da ‘economia’ é doloroso. O que se economiza na avaliação se transfere para os custos de saúde pública. Além disso, reabilitação e previdência social”, detalha Giovana Varoni, especialista em segurança viária e psicologia do trânsito.


“Quando um condutor sofre um mal súbito ou um sinistro grave, ele deixa de ser um provedor e se torna um custo altíssimo para o Estado, além do drama familiar” O vice-presidente da Actrans-MG, Carlos Luiz Souza, critica a visão simplista que reduz a CNH a uma mera burocracia. Assim, argumentando que a aptidão para dirigir muda com a idade e as condições de saúde. “Por trás da CNH existe uma ciência complexa, um sistema de proteção à vida. O exame médico é, para muitos, a única triagem de saúde preventiva”, diz. 


Ele alerta que estender o prazo de renovação aumenta o risco de que condições médicas não diagnosticadas. Como, por exemplo, diabetes descompensada, hipertensão não controlada ou distúrbios do sono (como apneia). Essas situações podem levar a um mal súbito ao volante, caso permaneçam sem acompanhamento. Para e entidade, estes são motivos suficientes para a inclusão de exames básicos como glicemia ou hemoglobina glicada na avaliação, como medida de prevenção primária.


Psicologia no trânsito:

No campo psicológico, a avaliação é uma ferramenta essencial de prevenção que identifica vulnerabilidades comportamentais e emocionais. Dessa forma, analisando fatores como controle da impulsividade, gestão da raiva no trânsito e tendência à agressividade. “O risco na direção é o mesmo para um motorista profissional ou para qualquer outro. A desvalorização dos profissionais, exigindo alta qualificação e oferecendo uma remuneração irrisória, é insustentável e compromete a qualidade do serviço prestado à população. Estamos arriscando vidas por uma economia de centavos”, provoca a psicóloga e presidente da Actrans-MG.


“A segurança viária não pode mais ser tratada apenas como uma questão de engenharia e fiscalização. Ela precisa ser vista, primariamente, como uma questão de saúde pública e comportamento humano. O governo federal demonstra falta de responsabilidade ao formatar alterações que minimizam procedimentos médicos e psicológicos, e é fundamental que se crie uma Política Pública de Segurança Viária que priorize o fator humano e a sustentabilidade do sistema de prevenção”



Por:

Associação das Clínicas de Trânsito de Minas Gerais (Actrans-MG

Publicado primeiro em Portal do Trânsito, Mobilidade & Sustentabilidade


quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

SEGURANÇA VIÁRIA NO MUNDO:

A EVOLUÇÃO DAS CAMPANHAS DE SEGURANÇA VIÁRIA NO MUNDO:

Veja como as campanhas de segurança viária evoluíram no mundo, quais estratégias funcionam e o que o Brasil pode aprender com essas experiências.


As campanhas de segurança viária passaram por mudanças profundas nas últimas décadas. Se antes eram focadas apenas em slogans e mensagens genéricas, hoje se baseiam em dados, comportamento humano e comunicação estratégica. Países que conseguiram reduzir mortes no trânsito investiram fortemente nessa evolução. No início, campanhas tinham caráter essencialmente informativo: ensinar regras básicas e alertar sobre perigos. Com o tempo, percebeu-se que informar não é suficiente para mudar comportamento. A comunicação precisou avançar para o campo emocional e psicológico. 


Campanhas mais modernas utilizam narrativas reais, depoimentos de vítimas e familiares, além de simulações visuais impactantes. A ideia é gerar empatia e percepção real de risco, sem recorrer apenas ao medo. 


Outro avanço importante foi a segmentação. 

Em vez de falar com “todos”, campanhas passaram a dialogar com públicos específicos: jovens, motociclistas, motoristas profissionais, pedestres e idosos. Essa abordagem aumenta a eficácia da mensagem.


A integração com políticas públicas também se mostrou essencial. Campanhas isoladas têm pouco efeito. Já aquelas associadas a fiscalização, engenharia e educação contínua apresentam resultados mais consistentes. No cenário internacional, destaca-se o uso de dados para direcionar campanhas a locais e horários de maior risco. A comunicação deixa de ser genérica e passa a ser estratégica.


Cenário nacional:

No Brasil, embora haja avanços pontuais, as campanhas ainda enfrentam desafios: descontinuidade, falta de avaliação de resultados e pouca integração com outras áreas da segurança viária. A experiência internacional mostra que campanhas eficazes não salvam vidas sozinhas, mas potencializam políticas bem estruturadas. Comunicação, quando bem utilizada, transforma percepção e ajuda a consolidar comportamentos seguros.



Organização das Nações Unidas - ONU

Em parceria com a JCDecaux, a campanha #FaçaUmaEscolhaSegura visa apoiar o cumprimento da meta da Década de Ação pela Segurança no Trânsito (2021–2030) de reduzir pela metade as mortes no trânsito até 2030.

Publicado primeiro em Portal do Trânsito, Mobilidade & Sustentabilidade.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

FALHAS COMUNS NA INTERPRETAÇÃO DO CTB QUE AINDA CONFUNDEM MOTORISTAS:

Mesmo com regras claras, muitos motoristas ainda interpretam o CTB de forma equivocada. Veja as falhas mais comuns e como evitá-las no dia a dia. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) é reconhecido por sua abrangência e detalhamento. Ainda assim, erros de interpretação seguem sendo frequentes entre motoristas brasileiros, gerando infrações, conflitos e situações de risco. Parte do problema está na leitura superficial da lei; outra parte, na reprodução de mitos e “regras informais” que se espalham no cotidiano.


Um dos equívocos mais comuns diz respeito ao limite de velocidade. Muitos condutores acreditam que trafegar abaixo do limite máximo é sempre suficiente para estar dentro da lei. O CTB, no entanto, determina que a velocidade deve ser compatível com as condições da via, do clima e do trânsito. Ou seja, mesmo dentro do limite, o motorista pode estar em situação irregular se colocar outros em risco. Outra falha recorrente está na interpretação da preferência de passagem. Há quem acredite que a preferência é absoluta e independe do contexto. Na prática, a preferência existe, mas não autoriza manobras perigosas ou invasões repentinas. A condução defensiva pressupõe cautela mesmo quando se tem prioridade.


Ultrapassagem:

A ultrapassagem também gera confusão. Muitos motoristas acreditam que, se a faixa estiver tracejada, qualquer ultrapassagem é permitida. O CTB é claro ao estabelecer que a manobra só é válida quando não há risco e quando a sinalização horizontal e vertical permitem. Visibilidade reduzida, proximidade de curvas e cruzamentos anulam essa possibilidade. No caso dos pedestres, ainda persiste a ideia de que só têm prioridade na faixa sinalizada. O CTB garante proteção especial ao pedestre em diversas situações, inclusive fora da faixa, desde que ele já esteja na pista. Ignorar esse ponto é fonte constante de conflitos.


“Há também confusão em relação ao pisca-alerta. Muitos acreditam que ele pode ser usado livremente para “avisar” outros motoristas. Na realidade, seu uso é restrito a situações de emergência ou veículo imobilizado, salvo exceções específicas.”


Outro erro frequente envolve o uso da seta. Alguns motoristas entendem a sinalização como opcional quando “não vem ninguém”. A regra é objetiva: toda mudança de direção ou faixa deve ser sinalizada, independentemente do fluxo. Essas interpretações equivocadas não decorrem apenas de má-fé, mas de lacunas na educação continuada. Após a obtenção da CNH, poucos motoristas revisitam o CTB ou acompanham atualizações normativas.


Compreender corretamente a lei é parte essencial da segurança viária. Um trânsito mais seguro passa, necessariamente, por leitura correta das regras e abandono de mitos que colocam vidas em risco.



Portal do Trânsito

UBERIZAÇÃO DA FORMAÇÃO DE CONDUTORES:

A UBERIZAÇÃO DA FORMAÇÃO DE CONDUTORES: QUANDO O PAÍS TRANSFORMA UMA POLÍTICA PÚBLICA EM UM EXPERIMENTO ARRISCADO:

Conforme Alysson Coimbra, estamos redesenhando a lógica de formação de motoristas e, no meio do caminho, abrindo espaço para algo muito maior: a uberização da formação de condutores no Brasil.


O Brasil está diante de uma mudança que parece técnica, administrativa e até moderna, mas que carrega um impacto profundo sobre a segurança viária: a flexibilização crescente da formação de condutores e a transferência progressiva desse processo para plataformas digitais. À primeira vista, o discurso soa convincente, fala em menos custos, burocracias e exigências, promete agilidade e inclusão, cria a sensação de que finalmente estamos simplificando um sistema “engessado”.


Mas basta olhar com atenção para perceber que não estamos simplificando.

Estamos redesenhando a lógica de formação de motoristas e, no meio do caminho, abrindo espaço para algo muito maior: a uberização da formação de condutores no Brasil. “Uberização, aqui, significa a União retirar dos Estados seu papel estruturante, fragmentar responsabilidades, transferir riscos para o indivíduo e concentrar ganhos nas plataformas que intermediam o processo e, consequentemente, em quem passa a apoiá-las nos bastidores de Brasília. É exatamente isso que começa a acontecer.”


Incentivar o autoaprendizado da legislação de trânsito por EAD pode soar inovador, mas ignora que estamos falando de um conhecimento que salva vidas, que exige mediação, debate, exemplificação e reflexão crítica. Quando, além disso, se reduz o tempo mínimo de direção, retira-se do candidato a vivência diária das ruas, o convívio com o erro supervisionado, o enfrentamento gradual de situações reais.


Forma-se mais rápido, mas se forma pior. Enquanto esse discurso ganha espaço, surgem plataformas digitais intermediando aulas particulares e oferecendo descontos maiores quanto mais o aluno compra, quase sempre muito além das duas horas prometidas como “suficientes”, algo que sabemos que não é. Ao mesmo tempo, taxas administrativas sobem em alguns Estados e surge um mercado novo, pouco transparente, que passa a concentrar recursos e influência. A promessa pública é de barateamento e agilidade, mas a realidade é uma cadeia de intermediação que desloca o dinheiro, reorganiza o poder e não entrega o que anuncia, e até mais caro do que custava antes desse novo alinhamento que cria nos inimigos públicos: como CFCs e profissionais da saúde.


Esse movimento não acontece no vazio, se encaixa em um país que, desde os anos 1970, ampliou de forma acelerada sua frota de motocicletas, impulsionado por incentivos industriais e renúncias fiscais, especialmente na Zona Franca de Manaus que permanecem até hoje sem justificativa clara. É como se o Estado continuasse premiando o setor que mais gera mortes e custos ao sistema público. O resultado está nas ruas: risco elevado, sequelas permanentes, famílias destroçadas. Não são estatísticas abstratas, são trajetórias interrompidas.


O mais grave é que, mesmo diante desse cenário, políticas recentes caminham na direção oposta do que a prudência recomendaria: Permite-se comprar motocicleta sem exigir CNH, fiscaliza-se pouco, mantém-se aberta a possibilidade de alguém sair da loja pilotando sem jamais ter passado por formação adequada. Algo que poderia ter sido corrigido na mesma Medida Provisória que hoje desarticula um sistema que, com todos os seus problemas, ainda formava, cuidava e fiscalizava candidatos e condutores há mais de 27 anos.


Essa tendência não é nova na história brasileira. O país já apostou, mais de uma vez, em soluções centralizadoras e narrativas sedutoras que ignoraram alertas técnicos. Na era Vargas, a crença de que o poder concentrado resolveria tudo abriu crises profundas e tensões institucionais difíceis de administrar. Antes do impeachment de Dilma Rousseff, sinais de desajuste fiscal e decisões arriscadas foram minimizados até que a realidade explodiu diante do país. A lição é clara: quando governos se apaixonam por seus próprios planos e fecham os ouvidos para quem alerta, o custo não é apenas político, é social.


Hoje, vemos algo semelhante no trânsito. Um governo com contas públicas pressionadas aposta em um plano apresentado como moderno, mas que desmonta mecanismos de proteção, amplia risco e transfere responsabilidades. E o faz sob a condução de um ministro que, apesar de estrutura e visibilidade, não conseguiu resultados suficientemente sólidos para obter avaliações técnicas amplamente positivas das instituições que acompanham essas políticas. Não se trata de personalizar o problema. Trata-se de reconhecer o risco: é temerário reorganizar um sistema que envolve vidas humanas com base em promessas mais retóricas do que técnicas.


Enquanto isso, o transporte público segue caro, lotado e ineficiente, capturado por estruturas que concentram poder e influenciam decisões políticas. Sem alternativas, trabalhadores recorrem à moto como meio de sobrevivência e depois entram na estatística que insistimos em chamar de “fatalidade”.


Não é fatalidade. É consequência.

Flexibilizar a formação, empurrar o aprendizado para plataformas digitais, reduzir prática e criar um mercado de intermediação crescente não é modernizar. É abdicar do papel estatal que protege, transformar formação em produto e aceitar que parte da sociedade pagará com o corpo e com a vida o preço da pressa. Por isso, é preciso dizer sem rodeios: não estamos diante de um avanço inevitável. Estamos diante de um experimento perigoso. Governos passam, plataformas mudam, ciclos políticos se encerram. Mas cemitérios, UTIs e famílias quebradas permanecem.


“A sociedade precisa reagir. Parlamentares, mesmo em período de recesso, precisam debater com seriedade. Os Governadores precisam se aprofundar nessa pauta com profundidade para evitar responsabilidades civis e descumprimento de leis de responsabilidade fiscal.”


Por fim o governo precisa parar de contar uma história confortável e encarar os dados que gritam o contrário. Porque, quando políticas públicas viram laboratório e cidadãos viram cobaias, não estamos falando de modernização. Não estamos falando de democratização. Estamos falando de reorganização econômica sobre um tema que é, antes de tudo, de segurança pública.



Texto de: Alysson Coimbra é Médico Especialista em Trânsito e Coordenador Nacional da Mobilização de Médicos e Psicólogos do Tráfego.









terça-feira, 30 de setembro de 2025

COMO FUNCIONAM OS RADARES INTELIGENTES?

Nos últimos anos, os radares de trânsito deixaram de ser apenas equipamentos que registram a velocidade de um veículo. Com os avanços tecnológicos, surgiram os chamados radares inteligentes, capazes de detectar uma variedade de infrações e até mesmo auxiliar na segurança pública. Mas, afinal, como essa tecnologia funciona na prática?


DO RADAR CONVENCIONAL AO RADAR INTELIGENTE:

Os primeiros radares instalados no Brasil tinham uma função básica: medir a velocidade de veículos e emitir uma fotografia quando ela ultrapassava o limite estabelecido. Embora eficientes, eram limitados a um único tipo de fiscalização. Já os radares inteligentes vão muito além. Utilizando câmeras de alta resolução, sensores e softwares de inteligência artificial, eles conseguem monitorar, em tempo real, múltiplos aspectos do tráfego. Isso significa que não apenas registram velocidade, mas também verificam se o condutor avançou o sinal vermelho, invadiu uma faixa exclusiva de ônibus, deixou de usar o cinto de segurança ou estava com o celular em mãos.


A TECNOLOGIA POR TRÁS DA FISCALIZAÇÃO:

O funcionamento dos radares inteligentes combina diferentes sistemas. Um dos principais é o OCR (Optical Character Recognition), ou reconhecimento óptico de caracteres, que permite a leitura automática das placas dos veículos. Esses dados são cruzados com bancos de informações de órgãos como DETRANs e SENATRAN, possibilitando identificar automóveis com licenciamento vencido, IPVA atrasado ou até mesmo registros de roubo. Além disso, sensores instalados nas vias analisam o fluxo de tráfego, contando veículos, medindo a velocidade média e detectando padrões de circulação. Alguns equipamentos são capazes de registrar imagens em alta definição, inclusive durante a noite ou em condições climáticas adversas, garantindo precisão na fiscalização.


QUE INFRAÇÕES OS RADARES INTELIGENTES DETECTAM:

Entre as infrações mais comuns registradas por esse tipo de radar estão:

* Excesso de velocidade;

* Avanço de sinal vermelho;

* Trânsito em faixa exclusiva de ônibus ou ciclovia;

* Ultrapassagem proibida em determinados trechos;

* Uso do celular ao volante (em modelos mais modernos);

* Não utilização do cinto de segurança;

* Em algumas cidades, a tecnologia já está sendo usada também para detectar

motociclistas sem capacete e verificar o cumprimento de regras de rodízio.


BENEFÍCIOS PARA A SEGURANÇA VIÁRIA:

A presença de radares inteligentes tem impacto direto na redução de sinistros.


Estudos mostram que a simples instalação desses equipamentos em áreas críticas leva a uma diminuição significativa de colisões e atropelamentos. Isso ocorre porque, ao saber que a via está monitorada, muitos motoristas tendem a adotar uma condução mais cautelosa. Outro benefício importante é a contribuição para o

planejamento urbano. Os dados coletados permitem que gestores públicos analisem padrões de tráfego, identifiquem gargalos e planejem melhorias viárias com base em informações concretas. Além disso, a integração com sistemas de segurança ajuda na recuperação de veículos roubados e no combate a crimes.


EDUCAÇÃO X ARRECADAÇÃO: A polêmica dos radares.

Apesar dos avanços, os radares inteligentes ainda enfrentam resistência de parte dos motoristas. Muitos enxergam nesses equipamentos apenas uma forma de “indústria da multa”, sem considerar o aspecto educativo e preventivo.


“Quando bem utilizados, os radares são ferramentas pedagógicas. Eles não estão ali para punir indiscriminadamente, mas para inibir condutas de risco e preservar vidas. O efeito educativo é imediato: o motorista que toma uma multa por excesso de velocidade pensa duas vezes antes de repetir o comportamento.”


O FUTURO DA FISCALIZAÇÃO ELETRÔNICA:

O avanço dos radares inteligentes aponta para uma tendência cada vez maior de integração com sistemas de mobilidade urbana inteligente. Em diversas capitais, esses equipamentos já estão sendo testados com recursos de inteligência artificial capazes de prever riscos de sinistros e alertar autoridades em tempo real. Com a chegada dos carros conectados, a expectativa é que, em breve, os radares possam se comunicar diretamente com os veículos, emitindo avisos automáticos de limite de velocidade ou risco de colisão.


O IMPACTO DA TECNOLOGIA NA SEGURANÇA VIÁRIA:

Os radares inteligentes representam um passo importante na modernização da fiscalização de trânsito. Ao unir tecnologia, inteligência artificial e integração de dados, eles se tornam não apenas um instrumento de controle, mas também de educação e prevenção de acidentes. Mais do que nunca, fica claro que o debate não deve se restringir à arrecadação de multas. O verdadeiro objetivo é construir um trânsito mais seguro, humano e responsável para todos.



Portal do Trânsito

domingo, 7 de setembro de 2025

ORIENTAÇÕES X CONSCIENTIZAÇÃO

CONHEÇA DEZ CUIDADOS PARA UMA VIAGEM DE MOTO MAIS SEGURA:

Frota de motos do país aumentou em quase 5 milhões desde a pandemia.


O crescimento do uso de motocicletas no Brasil veio para ficar e está relacionado à falta de opções mais eficientes de transporte público. A frota de motos do país aumentou em quase 5 milhões desde a pandemia de covid-19 e já passa de 29 milhões de veículos. Em seis estados do Norte e Nordeste brasileiros, elas já superaram os automóveis.


Com tantas motos nas ruas, as mortes em quedas, colisões e atropelamentos sobre duas rodas dispararam: já são uma em cada três entre todos os casos de vítimas do trânsito. Mas os óbitos são apenas parte do problema: segundo o Ministério da Saúde, entre 2010 e 2023, 1,4 milhão de motociclistas foram internados após incidentes nas ruas brasileiras, o que corresponde a 57,2% de todas as internações associadas a lesões de trânsito no país.


Para encerrar a série Rota Perigosa: Brasileiros se arriscam em motos por renda e mobilidade, a Agência Brasil separou cuidados apontados pela legislação, plataformas de aplicativo e especialistas em segurança viária que podem fazer as viagens de moto menos arriscadas.


Use capacete:

É obrigatório no Brasil utilizar capacetes adequados em viagens de moto – isso vale tanto para o condutor quanto para o carona. O equipamento de segurança deve estar em bom estado; possuir viseira ou óculos de proteção; ter adesivos retrorrefletivos na parte frontal, lateral e traseira; e exibir selo holográfico da certificação do INMETRO. A lei determina que o capacete deve estar afivelado e que a viseira deve estar sempre abaixada para a proteção dos olhos do condutor e do carona. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), o uso correto de capacetes pode reduzir em 42% o risco de mortes e em 69% o risco de lesões graves.


Não use celular durante a viagem:

O uso de celular gera distração e pode prejudicar o equilíbrio sobre a moto. Os condutores devem segurar as duas mãos no guidão, e os caronas também devem estar atentos e se segurar com as duas mãos durante as viagens de moto. A Opas alerta que os condutores que usam celulares enquanto dirigem têm cerca de quatro vezes mais chances de estarem envolvidos em um sinistro.


Respeite os limites de velocidade:

Conduzir em alta velocidade torna manobras e frenagem mais arriscadas, reduz a capacidade de se antecipar às surpresas do trânsito e pode dificultar a reação de outros condutores, motoristas e pedestres. Além disso, aumenta a força do impacto que os corpos do motociclista e do carona vão sofrer em caso de colisão.


“Conforme a Opas, cada acréscimo de 1% na velocidade média produz um aumento de 4% no risco de ter um sinistro fatal no trânsito. Isso significa que, caso haja um sinistro, há 132% mais riscos de morrer a 80 km/h do que a 60 km/h”.


Viaje sóbrio:

Conduzir um veículo sob efeito de álcool e outras substâncias que prejudicam a lucidez e o equilíbrio é um crime previsto no Artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro. Da mesma maneira, embarcar na garupa de uma moto sob o efeito de substâncias aumenta os riscos para condutor e passageiro. Ou seja, isso pode atrapalhar o motociclista no controle da direção.


Use roupas adequadas:

A Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) e outras entidades que produzem materiais sobre segurança viária recomendam o uso de jaquetas, calças e luvas de material resistente e cores claras, calçados fechados. Além disso, calce sapatos fechados ou botas que protejam seus pés e tornozelos. Assim como, evite tecidos longos, chinelos e outras roupas ou acessórios que podem se prender à moto.


Tenha cuidado no corredor entre os veículos:

Não existe proibição de circulação no corredor entre os demais veículos nas cidades brasileiras, mas isso aumenta o risco de sinistros. Motoristas de carros maiores podem trocar de faixa sem ligar a seta, passageiros podem abrir as portas dos veículos, e pedestres podem atravessar entre os carros, fora da faixa. Quando for necessário trafegar no corredor, vá em baixa velocidade e não faça ultrapassagens pela direita.


Crianças, só após os 10 anos:

A legislação brasileira só permite transportar crianças em motocicletas a partir dos 10 anos. Menor de 10 anos é uma infração gravíssima prevista no Artigo 244, Inciso II, do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Para tal, é necessário uso de capacete adequado para o tamanho da criança. A idade mínima para ser condutor de moto no Brasil é 18 anos. Não é possível conduzir ou tirar CNH categoria A (moto) antes disso nem com consentimento do responsável.


Use farol baixo mesmo durante o dia:

O uso do farol baixo ajuda o veículo a chamar mais atenção de outros condutores no trânsito. Segundo a Opas, um trânsito com motocicletas de farol baixo ligado tem risco até 20% menor de colisões.


Leve apenas um passageiro:

Os condutores de motocicleta só podem transportar um passageiro na garupa da moto. Transportar passageiro fora do assento (banco) suplementar colocado atrás do condutor ou em carro lateral é infração gravíssima prevista no Artigo 244, Inciso II, do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). A penalidade é multa e suspensão do direito de dirigir.


Segure firme e mantenha o equilíbrio:

Se você vai na garupa em uma viagem de moto, deve segurar com as duas mãos nas alças traseiras da motocicleta ou no motociclista. Assim como, manter os pés nos pedais de apoio durante toda a viagem. É importante não segurar em outras partes laterais da moto e se manter afastado do escapamento. Durante a viagem, é necessário alinhar seu corpo com o do condutor e acompanhar o movimento do corpo dele suavemente, principalmente nas curvas. O carona pode atrapalhar o equilíbrio do condutor durante a viagem e até causar quedas e colisões.


Portal do Trânsito