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sexta-feira, 25 de julho de 2025

MOTOCICLETAS:

MORTES DE MOTOCICLISTAS DISPARAM: O QUE ESTÁ SENDO FEITO PARA PROTEGER QUEM ENTREGA NAS RUAS?

Explosão dos serviços de entrega intensifica riscos nas vias e pressiona por regulamentações específicas. Estados e municípios se mobilizam com propostas de cursos obrigatórios, EPIs e fiscalização mais rigorosa.


O crescimento acelerado dos serviços de entrega por aplicativo trouxe comodidade para quem consome e uma nova fonte de renda para milhões de brasileiros. Mas, junto com a agilidade das entregas, veio também um salto preocupante nos sinistros de trânsito envolvendo motociclistas — especialmente aqueles que atuam como entregadores. Dados recentes apontam que as mortes de motociclistas continuam em alta no Brasil, e os especialistas alertam: é urgente proteger quem mais se expõe no trânsito urbano.


Conforme levantamento da Abramet (Associação Brasileira de Medicina do Tráfego), cerca de 8 em cada 10 vítimas de sinistros fatais com motocicletas no Brasil são jovens entre 18 e 35 anos — faixa etária predominante entre entregadores. A maior parte dos sinistros ocorre em vias urbanas, durante deslocamentos profissionais. Para se ter uma ideia, dados do Ministério da Saúde revelam que 34.881 pessoas perderam a vida em sinistros de trânsito no Brasil ao longo de 2023. Entre as vítimas fatais do trânsito brasileiro, os motociclistas são os mais impactados: 13.477 mortes foram registradas nessa categoria, o que representa quase 39% do total.


De acordo com Celso Mariano, especialista e diretor do Portal do Trânsito, a explosão do número de motocicletas nas ruas, impulsionada pelo crescimento dos aplicativos de entrega, foi um fenômeno que o sistema de trânsito brasileiro não acompanhou com a devida estrutura. “Estamos lidando com uma categoria extremamente vulnerável, que trabalha sob pressão de tempo, muitas vezes sem a formação adequada e com pouca proteção legal. Isso tem reflexo direto nos números de mortos e feridos.”


FALTA DE REGULAMENTAÇÃO AGRAVA CENÁRIO:

O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) já prevê a motofrete como atividade regulamentada, mas muitos entregadores atuam informalmente ou sem cumprir as exigências legais, como o protetor de motor, aparador de linha antena corta-pipas e curso especializado. Hoje, há uma confusão entre o motofretista tradicional e o entregador por aplicativo. A legislação é clara, mas a fiscalização é quase inexistente. E com isso, prolifera-se uma legião de motociclistas trabalhando sem capacitação específica e, além disso, expostos a riscos diários.


Diante desse cenário, algumas iniciativas têm buscado oferecer capacitação gratuita e estimular o uso de equipamentos de proteção. Em São Paulo, por exemplo, o governo estadual oferece cursos gratuitos para motofretistas, em parceria com o SEST/SENAT, com conteúdos que abordam direção defensiva, legislação de trânsito e prática veicular. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) também disponibiliza treinamentos específicos para motociclistas profissionais.


Cidades do Brasil, como Recife, implementaram programas estruturados, com cursos regulares de pilotagem defensiva e primeiros socorros para entregadores. Já Curitiba promoveu, durante o Maio Amarelo de 2023, capacitações específicas em direção defensiva e legislação, voltadas a motociclistas profissionais e entregadores por aplicativo. Além disso, acordos com plataformas de entrega vêm sendo utilizados como forma de engajar empresas no esforço de reduzir sinistros. Algumas operadoras passaram a oferecer conteúdos educativos e bonificações para entregadores que adotam práticas seguras, como uso adequado de EPIs e respeito às leis de trânsito.


O PESO DA INFORMALIDADE E DA PRESSA:

De acordo com um estudo do DIEESE, com base na PNAD Covid-19, do IBGE, mais de 60% dos motociclistas que atuam com entregas no Brasil estão na informalidade. Isso significa que esses trabalhadores não têm acesso a treinamentos formais, nem a benefícios como seguro de vida, licença médica ou suporte ergonômico. E pior: enfrentam jornadas longas bem como metas apertadas. Como consequência, há a elevação do risco de comportamentos perigosos no trânsito, como avanço de sinal, ultrapassagens proibidas e excesso de velocidade. “A pressa é inimiga da segurança. E quando ela se junta à precarização das relações de trabalho, temos uma bomba-relógio. O entregador, para garantir uma remuneração mínima, precisa fazer muitas corridas por dia e acaba se expondo demais.”


EDUCAÇÃO E FISCALIZAÇÃO: dois caminhos complementares.

Conforme especialistas, a saída passa pela educação continuada dos motociclistas, campanhas de conscientização voltadas tanto para os entregadores quanto para os motoristas que compartilham as vias com eles, além de revisão urgente da fiscalização nos centros urbanos.


“É fundamental reconhecer que o motociclista profissional precisa de uma formação diferenciada. Só o curso de primeira habilitação não dá conta da complexidade da atividade que ele exerce.”


Ele destaca ainda que o próprio processo de formação de condutores da categoria A, tal como estruturado hoje, apresenta limitações significativas. Ou seja, ele não contempla de forma adequada as exigências da pilotagem profissional em ambiente urbano, nem prepara o condutor para os riscos associados ao trabalho sobre duas rodas.


“O problema não está nas autoescolas, que cumprem o que é exigido. A lacuna está nas diretrizes de formação, que precisam ser revistas com urgência para refletir a realidade das ruas.”


CAMINHOS PARA O FUTURO:

A valorização do motociclista que atua nas ruas é uma necessidade urgente. Ela passa por um esforço coletivo entre poder público, empresas, plataformas de entrega e a sociedade. “Se queremos cidades mais humanas e um trânsito mais seguro, precisamos parar de tratar o entregador como invisível. Ele é essencial, mas também é vulnerável. E a segurança dele começa com o reconhecimento de sua importância e com o cumprimento das leis que já existem”, finaliza Mariano.



Celso Mariano

Portal do Trânsito

domingo, 20 de julho de 2025

ALERTA:

A CADA DOIS MINUTOS, UMA VÍTIMA DE SINISTRO DE TRÂNSITO É ATENDIDA NO SUS:

Internações por acidentes de trânsito seguem crescendo no Brasil, sobrecarregam o sistema de saúde e escancaram a urgência de políticas preventivas. Os sinistros de trânsito seguem como uma das principais causas de atendimentos de emergência e internações hospitalares no Sistema Único de Saúde (SUS). Em média, uma pessoa é atendida por sinistro de trânsito a cada dois minutos nas emergências do país. O impacto é direto na vida das vítimas, na saúde pública e nas contas do Estado.


Levantamento das Associações Brasileiras de Medicina do Tráfego (ABRAMET) e de Medicina de Emergência (ABRAMEDE), com base em dados oficiais do Ministério da Saúde, aponta que, em um único ano, foram contabilizadas mais de 227 mil internações hospitalares por sinistros terrestres. E, nos últimos dez anos, esse número ultrapassa 1,8 milhão de internações, com um custo hospitalar direto estimado em R$ 3,8 bilhões.


Epidemia silenciosa:

De acordo com o presidente da ABRAMET, Antônio Meira Júnior, o trânsito brasileiro representa uma “epidemia silenciosa”, que ocupa milhares de leitos por ano com vítimas de situações que poderiam ser evitadas. “As emergências estão lotadas de vítimas de circunstâncias evitáveis, com um custo humano, social e econômico altíssimo.”


A presidente da ABRAMEDE, Camila Lunardi, reforça que esse é um problema que exige mobilização de toda a sociedade. “Atuamos diariamente nas emergências e vemos o peso dessa tragédia nos hospitais. Isso exige resposta do Estado, da sociedade e de todos os atores do sistema de mobilidade”, alerta.


A pressão sobre o sistema público de saúde é enorme: os sinistros de trânsito ocupam leitos de UTI, prolongam internações e demandam reabilitação e múltiplos procedimentos. Também geram impacto sobre o sistema previdenciário e de assistência social.


“O que vemos é uma distorção grave: bilhões sendo consumidos para tratar consequências de tragédias evitáveis, recursos que poderiam estar sendo aplicados em outras melhorias no sistema de saúde.”


O que os números revelam:

O custo das internações por sinistros de trânsito no Brasil - R$ 3,8 bilhões em uma década - poderia, por exemplo, ser revertido em:

* Construção de 32 a 64 hospitais de médio porte;

* Implantação de 35 mil quilômetros de ciclovias urbanas;

* Duplicação de cerca de 505 km de rodovias federais;

* Aquisição de mais de 15 mil ambulâncias;

* Criação de quase 13 mil leitos de UTI.


A maior parte das vítimas está ligada a sinistros com motocicletas, que representam mais de 60% das internações. Em um ano analisado, foram 150 mil hospitalizações de motociclistas, mais do que o número total de pedestres e ciclistas somados. Pedestres respondem por 16% das vítimas, seguidos de ciclistas e ocupantes de automóveis, ambos com 7%.


Perfil das vítimas:

O levantamento aponta um padrão claro de vitimização:

* 78% das internações envolvem homens;

* 49% das vítimas estão entre 20 e 39 anos - justamente a população economicamente ativa;

* Jovens entre 20 e 29 anos representam o grupo mais afetado, com cerca de 28% das internações;

* 15% das vítimas têm menos de 20 anos, muitas vezes por negligência com dispositivos de retenção infantil ou comportamentos inadequados;

* Idosos, embora representem 9% dos casos, estão entre os mais vulneráveis a lesões graves e complicações no pós-trauma.


Esses dados reforçam que o trânsito brasileiro expõe crianças, jovens, adultos e idosos a riscos significativos, e que a prevenção deve ser permanente e direcionada a todos os grupos.


Crescimento contínuo e preocupante:

Em uma década, o número de internações por sinistros de trânsito cresceu 44%, passando de cerca de 157 mil para mais de 227 mil por ano. Todas as regiões do país apresentaram aumento, com destaque para os estados com maior frota circulante.


Distribuição regional das internações:

* Sudeste: mais de 747 mil internações em 10 anos; São Paulo lidera com 387 mil, seguido por Minas Gerais e Rio de Janeiro.

* Nordeste: 514 mil internações; Bahia, Ceará e Piauí têm os maiores números.

* Sul: 208 mil internações, com destaque para o Paraná e Santa Catarina.

* Centro-Oeste: também com 208 mil internações, quase dobrando no período;

Goiás e Mato Grosso lideram.

* Norte: 157 mil internações, com o Pará concentrando quase metade dos casos.


Em algumas regiões, como o Centro-Oeste e a Paraíba no Nordeste, os números praticamente dobraram ao longo da década. No Amapá, houve um salto expressivo no número de hospitalizações em um único ano, quase triplicando em relação à média dos anos anteriores.


Urgência por soluções:

Os dados reforçam que os sinistros de trânsito não são apenas uma questão de mobilidade, mas também de saúde pública.


A combinação de imprudência, baixa fiscalização, ausência de infraestrutura segura e falta de educação para o trânsito contribui para manter o Brasil entre os países com os piores indicadores de mortalidade e morbidade no trânsito.


Com base no levantamento do impacto do trânsito no SUS, especialistas apontam que a redução dessas estatísticas passa por medidas como:

* Fortalecimento da fiscalização e punição efetiva;

* Educação para o trânsito contínua e baseada em evidências;

* Melhoria da infraestrutura urbana e rodoviária;

* Promoção de transportes mais seguros e sustentáveis;

* Valorização da saúde preventiva e do atendimento qualificado às vítimas.


O alerta está dado: a cada dois minutos, uma nova vítima de trânsito recorre ao SUS, e a maioria desses casos poderia ter sido evitada.


Levantamento das Associações Brasileiras de Medicina do Tráfego (ABRAMET) e de Medicina de Emergência (ABRAMEDE) e Portal do Trânsito

sábado, 12 de julho de 2025

CIDADANIA EM MOVIMENTO:

CIDADANIA EM MOVIMENTO: Do carrinho de compras à direção responsável. Em artigo da jornalista Bianca Monteiro, atitudes cotidianas revelam como a cidadania e o respeito coletivo começam fora do volante — e fazem toda a diferença também no trânsito.


No trânsito, não somos apenas condutores, pedestres, ciclistas ou passageiros — somos cidadãos em movimento, partilhando um espaço comum que exige mais do que regras: exige respeito, empatia e cooperação. Cada pessoa é parte ativa do sistema viário, e seu comportamento impacta diretamente a segurança coletiva. Ser cidadão no trânsito é reconhecer-se como sujeito de direitos e deveres, como alguém que compartilha a via pública com outros seres humanos igualmente vulneráveis e dignos de cuidado.


A civilidade no trânsito se manifesta nas escolhas diárias: ceder a passagem, respeitar o pedestre, evitar atitudes agressivas, manter a atenção, desacelerar, aceitar o tempo do outro. Esses gestos, embora simples, são expressões concretas de responsabilidade social. E vão além do cumprimento da lei — são sinais de que

entendemos a convivência como uma construção coletiva. A segurança viária, conforme preconiza o PNATRANS, depende da atuação integrada do poder público e da sociedade. E nessa engrenagem, o cidadão é peça-chave: não apenas como beneficiário das políticas públicas, mas como coparticipante de sua efetividade.


Em tempos em que o desafio da redução de sinistros exige novas estratégias, o chamado à cidadania cooperativa se faz ainda mais necessário. Não se trata apenas de evitar punições, mas de cultivar valores que fortalecem o tecido social: solidariedade, responsabilidade e o compromisso com a vida.


Uma forma simples de compreender esse papel coletivo é observar quem somos no dia a dia — por exemplo, no estacionamento do supermercado. A cena é comum: depois de colocar as compras no carro, algumas pessoas deixam o carrinho largado entre os veículos, ocupando vagas ou dificultando a passagem. Outras o levam até o local apropriado, mesmo que isso signifique andar alguns metros a mais. Pode parecer banal, mas essa pequena atitude diz muito sobre nosso grau de civilidade, empatia e consciência comunitária.


Esse exemplo cotidiano ilustra com clareza o que significa ser cidadão em uma comunidade: pensar no outro, facilitar a vida de quem vem depois, colaborar com os trabalhadores do local e evitar pequenos transtornos que, somados, podem gerar grandes conflitos.


No trânsito, o princípio é o mesmo. Você é a pessoa que respeita a faixa de pedestres ou a que acelera para passar antes? A que reduz a velocidade perto de uma escola ou a que buzina impaciente? A que facilita a passagem ou a que fecha o cruzamento?


Ser cidadão no trânsito — assim como no estacionamento — é entender que o espaço é compartilhado. Cada gesto de cuidado contribui para um ambiente mais funcional, seguro e respeitoso. A convivência melhora quando assumimos nossa parte na engrenagem social, sem esperar que uma regra ou punição nos obrigue a fazer o certo. No fim das contas, civilidade é isso: agir corretamente mesmo quando ninguém está olhando. E no trânsito, isso pode significar a diferença entre a vida e um sinistro fatal.


Quem é você no trânsito e no mercado? O que coopera sem ser chamado ou o que larga o carrinho de qualquer lado?



Artigo da jornalista Bianca Monteiro, e

Portal do Trânsito

sábado, 5 de julho de 2025

GELO NA PISTA:

Como dirigir com segurança em dias de frio extremo: O problema é que esse tipo de gelo é praticamente imperceptível, confundindo-se com a superfície da pista. Com a chegada do inverno e a queda acentuada das temperaturas em várias regiões do Brasil, aumenta o risco de um inimigo invisível nas estradas: o gelo sobre o asfalto. Embora mais comum nas regiões Sul e em pontos serranos de estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, a formação de gelo — também chamada de “gelo negro” — pode surpreender motoristas desprevenidos em trechos de serra, pontes e rodovias com pouca incidência solar.


O problema é que esse tipo de gelo é praticamente imperceptível, confundindo-se com a superfície da pista. Quando o veículo passa por essa área congelada, a aderência dos pneus com o solo é drasticamente reduzida, aumentando o risco de derrapagens, perda de controle e sinistros de trânsito.


O que é o “gelo negro”?

Apesar do nome, o “gelo negro” (ou black ice, em inglês) não é realmente preto — o que acontece é que ele forma uma camada tão fina e transparente que assume a cor da pista, especialmente do asfalto escuro. Por isso, o motorista só percebe sua presença quando já está em cima ou quando sente o veículo deslizar. Esse fenômeno ocorre principalmente durante as madrugadas e nas primeiras horas da manhã, quando as temperaturas estão mais baixas. Pontes, viadutos e trechos sombreados da pista são os locais mais propensos à formação desse tipo de gelo.


DICAS PARA DIRIGIR COM SEGURANÇA QUANDO HÁ RISCO DE GELO NA PISTA:

1. Reduza a velocidade. Em condições de frio intenso, trafegar em velocidade reduzida é a principal estratégia de prevenção. Quanto maior a velocidade, maior a distância de frenagem — e, com gelo, essa distância pode ser até 10 vezes maior do que em pista seca.


2. Evite freadas e acelerações bruscas. Manobras repentinas desequilibram o carro em uma pista com baixa aderência. Mantenha movimentos suaves e progressivos no volante, nos pedais e na troca de marchas.


3. Aumente a distância do veículo à frente. A distância segura em condições normais pode não ser suficiente se houver gelo. Mantenha pelo menos o dobro da distância usual. Isso dá mais tempo para reagir e evita colisões em cadeia.


4. Use marchas mais altas em subidas e descidas. Quando for subir ou descer uma ladeira com possível formação de gelo, opte por marchas mais altas para reduzir o torque e evitar que as rodas patinem.


5. Esteja atento à sinalização e às condições do tempo. Trechos de serra ou próximos a áreas rurais costumam ter placas de advertência para risco de gelo. Fique atento também às informações meteorológicas e, se possível, evite circular nos horários mais frios do dia.


6. Em caso de derrapagem, mantenha a calma e não freie com força. Se o carro começar a deslizar, tire o pé do acelerador, segure firme o volante e evite travar as rodas. Se for necessário frear, faça isso de maneira suave, preferencialmente com o uso do freio motor.


E os veículos? Estão preparados?

A manutenção preventiva também é essencial para dirigir com segurança no frio. Pneus com desgaste acentuado, por exemplo, têm menor aderência e ampliam o risco de aquaplanagem e perda de controle. O mesmo vale para sistemas de freios e suspensão. Outro ponto importante é verificar o nível e a condição do líquido de arrefecimento (popularmente chamado de “água do radiador”), pois ele evita o congelamento do motor em temperaturas muito baixas. Em regiões com frio mais severo, recomenda-se o uso de aditivos específicos para essas condições.


Experiência de países mais frios: o que podemos aprender?

Em países como Canadá, Suécia e Noruega, onde o gelo e a neve são comuns, o uso de pneus de inverno ou com cravos metálicos é obrigatório em certas épocas do ano. No Brasil, essa exigência não existe, mas motoristas que vivem ou trafegam em áreas de altitude elevada podem considerar a troca de pneus por modelos com maior tração. Além disso, nessas regiões, é comum o treinamento específico para direção em superfícies escorregadias — algo que ainda é raro na formação dos condutores brasileiros, mas que pode ser um diferencial importante.


A SEGURANÇA COMEÇA COM A INFORMAÇÃO:

Conforme especialistas, dirigir em pista congelada exige conhecimento, atenção redobrada e prudência. A conscientização dos motoristas sobre os riscos do frio extremo é essencial para reduzir sinistros nessa época do ano.


“Condições climáticas adversas, como o gelo na pista, desafiam a habilidade e o bom senso do condutor. Mais do que técnica, é preciso atitude preventiva: reduzir a velocidade, aumentar a distância e reconhecer os próprios limites ao volante.” Comenta o especialista em trânsito Celso Mariano.


Importante.

Se estiver em uma região com previsão de geada ou neve, considere adiar a viagem para um horário mais seguro, sempre que possível. A segurança deve vir sempre em primeiro lugar.



Portal do Trânsito



quinta-feira, 3 de julho de 2025

CELULAR:

MULTITAREFA AO VOLANTE: O QUE O CELULAR TIRA DA SUA ATENÇÃO (E do seu tempo de reação)?

Uso do celular ao dirigir continua entre os principais fatores de risco no trânsito e expõe a falsa sensação de controle que muitos condutores têm ao tentar fazer duas coisas ao mesmo tempo.


Mesmo após campanhas educativas como o Maio Amarelo e o reforço na fiscalização, o uso do celular ao volante ainda é um dos maiores desafios à segurança viária no Brasil. A prática de enviar mensagens, fazer ligações, mexer em aplicativos de navegação ou redes sociais enquanto dirige está diretamente ligada a falta de atenção no trânsito e ao aumento no número de sinistros com vítimas. O comportamento é tão perigoso que especialistas em trânsito classificam o celular como um dos “novos vilões invisíveis” das rodovias e ruas urbanas - e alertam para o mito da multitarefa.


“O cérebro humano não foi projetado para fazer duas tarefas complexas ao mesmo tempo com eficiência. O que acontece, na prática, é uma rápida alternância entre uma tarefa e outra, e isso compromete a atenção no trânsito.”


O celular desvia atenção em três níveis:

De acordo com estudos internacionais de segurança viária, o uso do celular ao dirigir compromete o comportamento do motorista em três níveis principais de atenção:

1. Visual: o condutor desvia os olhos da via para olhar a tela.

2. Manual: uma das mãos (ou ambas) deixa o volante para segurar o celular ou digitar.

3. Cognitivo: a atenção mental se volta à conversa, mensagem ou conteúdo no dispositivo.


Essas distrações aumentam drasticamente o tempo de reação em caso de imprevistos. De acordo com a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (ABRAMET), usar o celular ao volante pode elevar em até 400% o risco de sinistros. “Mesmo uma interação rápida com o celular - como olhar uma notificação - representa um risco. A 60 km/h, tirar os olhos da via por 3 segundos significa percorrer cerca de 50 metros às cegas.”


Tempo de reação comprometido:

Pesquisas mostram que o tempo de resposta de um motorista focado gira em torno de 1 segundo. Quando há distrações cognitivas, esse tempo pode dobrar ou triplicar. Ou seja: o condutor demora mais para frear, desviar de obstáculos ou perceber mudanças no trânsito.


Além disso, os motoristas que usam celular:

* Fazem freadas bruscas com mais frequência.

* Têm maior dificuldade de manter a velocidade constante.

* Tendem a desrespeitar a sinalização sem perceber.

Esses fatores aumentam o risco não apenas de colisões traseiras, mas também de atropelamentos e saídas de pista. Penalidades previstas na legislação No Brasil, o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) considera gravíssima a infração por manusear o celular enquanto dirige. Desde 2016, com a Lei nº 13.281, o artigo 252, inciso VI, prevê:

* Multa de R$ 293,47

* Perda de 7 pontos na CNH


Além disso, o artigo 169 do CTB também enquadra como infração leve qualquer atitude que comprometa a atenção ao dirigir, o que pode incluir o uso do celular em viva-voz ou via fones.


De acordo com o Observatório Nacional de Segurança Viária, mais de 90% dos sinistros têm origem em falha humana - e boa parte deles está relacionada a comportamentos distraídos. Somado a isso, a hiperconectividade cotidiana - impulsionada por mensagens instantâneas, redes sociais e notificações constantes - cria um ambiente em que se desligar do celular parece impossível, mesmo ao

volante.


Educação e conscientização: o papel de todos:

Campanhas educativas, fiscalização e tecnologia têm papel fundamental para combater o uso do celular ao volante. Porém, a mudança mais eficaz ainda vem da auto percepção do risco e da valorização da vida.




Por: Celso Mariano, especialista em educação para o trânsito e diretor do Portal do Trânsito.